superpoderes

18.10.12


Foi uma reflexão estranha que começou num daqueles momentos solitários, olhando pela janela do ônibus sem realmente olhar a paisagem, num horário de pico de um dia qualquer. Foi rápido. De repente, me peguei pensando "e se todas nossas peculiaridades fossem na verdade superpoderes, mas as subestimamos por parecem comuns?". E daquelas reflexões motivadoras do tipo "todos somos especiais de nosso próprio jeito, yay! ♥". Ou quase isso.

Porque você talvez tenha um amigo que bebe e não tem ressaca no dia seguinte. Ou um amigo que consegue convencer todo mundo a fazer algo porque tem aquele "jeitinho". Ou aquele que apresenta tão bem que parece hipnotizar a platéia. Até mesmo o seu amigo capaz de sentir tretas. Falando assim, parece ter muito sentido minha afirmação de todos temos superpoderes. Ou pelo menos, habilidades especiais. Comecei, lá no ônibus, a enumerar pessoas e atribuí-las a seu respectivo superpoder.

E nesta salada de "super-heróis", qual o meu talento especial? Onde, na bagunça da vida, eu me encaixo? Venho procurando constantemente responder quem sou, o que faço e o que me difere, mas cada vez mais a resposta se encontra mais distante.

Eu não me acho diferente. Nem mesmo peculiar. Sou bem comum para uma garota da minha idade. Faço as mesmas coisas que todas as outras. Tenho as mesmas vontades e desejos de consumo. Talvez não como a maioria, mas existe certamente uma parcela da população que pensa exatamente da mesma forma como eu. Sabe quando conhece uma pessoa nova e vem aquele "eu também!" e daí desengatam uma longa conversa? Aí estou eu. 

É busca constante por me fazer ser indivíduo. Preciso saber a minha diferença da massa para poder me distinguir. E onde esta meu talento especial que tanto busco? E onde está meu superpoder? Onde me encaixo e onde sou desforme?

E, olhando para o vidro sujo do ônibus, me dei conta que já não pensava mais em superpoderes, mas em quem eu era. Era mais fácil definir o espaço alheio do que o meu, com certeza. 

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and if you walk real slow

7.10.12



Agora sim, vou fazer um post não-preguiçoso. Espero. Bem, o que acontece é que minha vida anda realmente parada. Mesmo com o fim da greve, os mil trabalhos, algumas tretas... Parece que estou observando um lago e jogando pedrinhas nele para forçá-lo a se mexer. E nem assim ele tem um distúrbio real.

Não que eu esteja procurando tretas, claro. Só queria alguma mudança significativa. Minha vida está sem mudanças há algum tempo e me sinto sufocada em um mundo sem desafios. Espero que algo mude logo, que eu tenha alguma dinâmica nova que me empolgue para fazer as coisas novamente. Ultimamente ando só reclamando para ver se sai algo que preste.

Minhas aulas também não colaboram muito. Mesmo depois da greve, ainda há um extremo descaso com os alunos. Acho absurdo um professor entrar 10h na sala de aula (atrasado, ainda por cima!) e liberar todos 10h30min como se estivesse tudo ok. E nem venham me dizer que 'faculdade é assim mesmo'. Estudei durante o ensino médio em uma universidade e se o professor se atrasasse mais de 15 minutos sem aviso prévio (e liberasse muito mais cedo), não recebia as horas por aquela aula e os alunos tinham o direito de ir embora. Estamos com um calendário apertado por causa da greve e mesmo assim essas porcarias ainda acontecem. 

Hoje votei pela primeira vez. O candidato que escolhi tinha pouquíssimos votos nas pesquisas, mas isso não me intimida, ele tinha idéias legais (e inovadoras). Nenhum dos tops das pesquisas me empolgou para votar neles (tipo, o cara que mal fez coisas por Curitiba, um homofóbico... é, não me empolga mesmo).   

Ando mesmo desempolgada com tudo. Mesmo. Mas nem é baixo astral. É algo além. Um descontentamento com muitas coisas de uma vez. Mas, ah, deixa pra lá. Não criei o blog para ficar reclamando.

E... o post acabou? 

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